Diante de cenários cada vez mais favoráveis à formação de blocos econômicos e à internacionalização de empresas, o tema integração produtiva é recorrente nos debates entre formadores de políticas públicas do mundo todo. No caso do Mercosul, tais discussões são aquecidas por grupos de governos, iniciativa privada e órgãos supranacionais, que buscam formas de estreitar as relações produtivas entre os países envolvidos. Há, por isso, um esforço pela construção de conhecimento compartilhado, pelo qual os atores deste processo podem definir iniciativas efetivas de integração.

Hoje, muitas empresas da região já realizam investimentos ligados a essa integração por considerarem o Mercosul um destino importante em seus processos de internacionalização. No entanto, a integração produtiva requer uma ação conjunta dos países-membros, que contemplem iniciativas e projetos específicos, além da mobilização de recursos nacionais e comunitários. Nesse sentido, foi dado um passo fundamental dentro da estrutura institucional do Mercosul: em junho de 2008, foi criado o Grupo de Integração Produtiva (GIP), responsável por coordenar e executar o Programa de Integração Produtiva do Bloco, formado por representantes dos quatro Estados Partes, sob coordenação da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). 

Em 2008, a integração produtiva do Mercosul foi também enfatizada na Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP), lançada em maio pelo  Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, como um dos  Destaques  Estratégicos (iniciativas que tratam de questões fundamentais para desenvolver a indústria, perpassando diversos complexos produtivos). Com seu programa de integração para a América Latina focado no Mercosul, a PDP pretende aumentar a articulação das cadeias produtivas e elevar o comércio na região, buscando ampliar a escala e a produtividade da indústria doméstica.  

Dentro deste objetivo, a ABDI, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) se uniram para realizar o Seminário Internacional de Integração Produtiva: Caminhos para o Mercosul , que reunirá gestores públicos, formuladores de políticas, empresários, gestores de entidades, pesquisadores e representantes de órgãos regionais e internacionais. O evento  foi  precedido por um conjunto de atividades relacionadas ao seu propósito, tais como a realização de estudos por consultores internacionais*, uma oficina de trabalho com a participação dos consultores e gestores governamentais dos países do  Bloco e a elaboração de textos e artigos.

O Seminário Internacional de Integração Produtiva: Caminhos para o Mercosul tem como principal meta propor diretrizes para a integração produtiva no  Bloco, com a identificação de pontos a serem trabalhados nas agendas dos órgãos governamentais dos países-membros, órgãos relacionados e setor empresarial. Para isso, especialistas debaterão sobre o conceito de integração produtiva, sobre casos vividos em outras regiões e o que pode ser replicado no Mercosul, os papéis dos setores privado e público neste processo, quais as indústrias e atividades com maior potencial de integração no  Bloco, entre outros aspectos relevantes.

*Apresentações sobre os estudos realizados por consultores internacionais:

» Jaime Castillo
» Kriengkarai
» Nobuaki Hamaguchi
» Sebastian Dullien
» Renato Flores